“Do que eu tenho medo? Deixa eu ver. Sei lá, de repente de chegar um dia e ver que foi tudo em vão, que não valeu a pena, cada gesto ou cada ação, cada investimento e concessão. Eu tenho medo de um dia acordar e sentir que acabou.
“Não me importa saber se é terrível demais. Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz? E amanhã se este chão que eu beijei for meu leito e perdão vou saber que valeu delirar e morrer de paixão. E assim, seja lá como for, vai ter fim a infinita aflição e o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão.
“A gente é tão pequeno, tão humano, tão simples. E a vida, meu amigo, é tão complexa, complicada, difícil.
“Desculpa meu jeito, meu mal jeito, falta de jeito.
“Nunca fui de sentir muito, ou melhor, nunca fui de demonstrar o que sentia. Sempre achei melhor esconder, fingir que não estava mal, sorrir e deixar pra ficar triste em casa, sozinho. Sempre achei que seria melhor assim, sem ninguém por perto, sem pessoas perguntando o que tinha acontecido… O problema que isso cansa, uma hora você não aguenta mais e então, você chora.